Superbrinquedos duram o verão todo!

Abril 18, 2008 por Fabiano

Navegando por aí, me deparei com o Pleo. O Pleo é o sonho de consumo de todo über geek que se preze. Ele é um superbrinquedo, daqueles do filme Inteligência Artificial. Só que ele existe de verdade, não é num filme.

O Pleo é um robô no formato dum Camarassauro recém chocado (aqueles primeiros e chocantes dinossauros que aparecem no Jurassic Park comendo folhas das árvores) que emula diversas emoções e age como um bichinho de estimação dócil e adorável. Não faz xixi, não faz cocô, não come ração.

Ele tá se tornando febre nos EUA e eu, definitivamente, quero um. Nem é tão caro, por volta dos US$ 300,00.

Clica aqui e surta que nem eu. Ou não, seu monstro insensível!

É pênalti!

Abril 10, 2008 por Fabiano
Como diria o grande filósofo Neném Prancha, o pênalti é tão importante que deveria ser cobrado pelo presidente do clube.

Muitas festas foram celebradas e muitas outras foram canceladas por causa deste momento icônico do futebol: a hora em que o jogador e o goleiro disputam, no mano a mano, a penalidade máxima.

Qual brasileiro amante de futebol não comemorou em 1994 quando o Baggio mandou a cobrança derradeira do tetracampeonato para o espaço?

Qual o colorado que não riu do Fluminense por causa do pênalti cavadíssimo, marcado e convertido na final da Copa do Brasil de 1992, dando o título ao Internacional? E, pela espada implacável do karma, qual o colorado que não se indignou com o pênalti claríssimo, porém não marcado, no jogo contra o Corinthians em 2005, que nos tirou o tetracampeonato brasileiro?

Pois é. Eu, pessoalmente, acho que, quando um jogo de futebol chega ao ponto de ser disputado nas cobranças de pênaltis, acaba o jogador bom. Acaba o craque. O ato de colocar a bola no meio da grande área, olhar no olho do goleiro e estufar as redes com a bola não prescinde técnica, nem habilidade: precisa de culhão. Precisa ser homem.

Vide o Roberto Baggio que, na época da copa de 94 era o melhor jogador do mundo, colocou a bola em órbita. Do outro lado, o Célio Silva, na decisão da Copa do Brasil de 1992 que falei ali em cima, que chutou bola, gramado, estádio, goleiro, juiz e tudo o mais pra dentro do gol em um chute tosquíssimo, porém arrasador.

O mesmo vale para o goleiro. Tirando os iluminados pela sorte, de escolher o canto certo e pular a tempo, precisa ter muito sangue frio para esperar até que o jogador chute a bola para, depois de verificar e esimar sua eventual trajetória, pular e conseguir impedir que ela ultrapasse a linha do gol.

Lembro-me agora de uma cobrança de pênalti muito polêmica. Gostaria de lembrar quais os times envolvidos, mas acredito que o goleiro era o Rogério Ceni. O jogador do outro time chutou a bola, o Rogério espalmou para cima e para frente mas, devido ao vento forte, a bola acabou sendo levada para dentro do gol. É trágico, é irônico. É pênalti.

Entretanto, de todas as situações do futebol, nenhuma me parece tão injusta e desequilibrada quanto a cobrança da penalidade máxima. O cobrador pode tudo. Pode correr, pode dar a paradinha, pode até dançar a macarena. Mas o goleiro não. Ao goleiro é proibido o direito de tirar os pés da linha do gol enquanto o cobrador não encostar na bola.

Lembro agora da última partida do Inter pelo Campeonato Brasileiro do ano passado. Pênalti para o Goiás. O Paulo chuta a bola e o Clemer, adiantado, defende. O juiz manda repetir a cobrança. O Paulo chuta a bola novamente, o Clemer, novamente adiantado, defende. O juiz manda cobrar de novo. O jogador do Goiás (que não era mais o Paulo), chuta e converte, mesmo com o Clemer se adiantando pela terceira vez.

Ontem à noite, cumprindo minha obrigação acessória enquanto colorado (“contra o Grêmio onde o Grêmio estiver”), percebi que o pênalti cobrado pelo Roger escancarou a injustiça da cobrança. O Roger correu em direção à bola e parou. Mas parou mesmo. O goleiro do Atlético pulou para o canto e, totalmente vencido, só assistiu o Roger empurrar mansamente a bola para o fundo das redes.

Ora, se o goleiro não pode se adiantar porque diminui o ângulo do cobrador, porque a recíproca não é verdadeira? Por que o jogador que dá a paradinha e inutiliza o goleiro não deveria ser obrigado a cobrar novamente?

Isso tudo faz parte da ironia que é a cobrança de pênaltis. É a hora do tudo ou nada. É a hora em que se vê quem é quem.

Shine a light

Abril 9, 2008 por Fabiano
Se tu conhece alguma criatura que não curte Rolling Stones, mate-a.

Simples assim.

Tiro na boca, navalha na garganta, pedra na cabeça, pé na bunda penhasco abaixo… tu que sabe. Mas que é fato que uma pessoa que não gosta de Rolling Stones merece morrer, é.

O cara pode até preferir Beatles (como eu), mas não gostar de Rolling Stones é crime passível de execução sumária pela morte.

O documentário Shine a light mostra um showzaço dos Stones num teatrinho, só com as músicas das antigas. O legal é que o Mick Jagger tornou a vida do Scorcese um inferno absoluto, porque simplesmente ficava enrolando o velho e não entregava o set list. Nem a primeira música.

O palco é montado, as celebridades chegam, Bill Clinton anuncia o show, as luzes se apagam. Um cara entra correndo na sala de direção e fala “Tá aqui o set list”. Em meio segundo, Keith Richards começa a esgaçar o riff inicial de Jumpin’ Jack Flash.

É desnecessário dizer que o show é foda. Um clássico atrás do outro. Pena que as participações especiais (tirando o Buddy Guy, falo mais dele depois) mais atrapalharam do que ajudaram. Na verdade os Stones têm um histórico de, nos shows, chamar convidados foda e convidados fracos. No show do Forty Licks, chamaram o AC/DC e… Justin Timberlake. Nesse show não foi diferente. Chamaram o Buddy Guy e… Cristina Aguillera e Jack White III (clone, será?).

Eu consigo até entender o porquê de terem chamado a Cristina Aguillera (se tu ver o quanto o véio Mick se esfrega na ninfeta caliente e safada tu entende), mas o Jack White III… Não que eu não goste de White Stripes, eu gosto bastante. Mas, pô, cada coisa no seu lugar, né?

Reza a lenda que depois do show o Keith Richards perguntou quem era aquela guria loira que invadiu o palco e cantou com o Mick Jagger.

A participação do Buddy Guy é considerada por muitos o ponto alto do show. Eles cantam Champagne & Reefer, música extremamente emaconhada do Muddy Waters. A música é foda. Pena que deixam o Buddy Guy cantar tão pouco, porque “cada vez que ele canta, a música simplesmente muda completamente”, diz a minha Dani.

Apesar de ter achado foda a parte com o Buddy Guy, ela não foi a minha parte favorita. Pra mim o ponto alto do show foi Sympathy for the Devil, minha música favorita dos Stones e que, pela primeira vez, eu gosto da forma como é executada ao vivo.

Outro ponto alto do show foi You got the silver, cantada pelo Keith Richards. Olha, é difícil pra mim dizer isso, mas… ele canta muito melhor que o Mick Jagger. Ok, a voz do Mick é absolutamente icônica e o carisma dele é incomparável. Mas em relação a cantar mesmo, o Keith canta melhor.

Falando em carisma, a presença de palco dos Stones é absurda. Tu vê que eles amam o que fazem, que curtem muito estar no palco e a performance deles é de humilhar grande parte das bandas que estão (e as que não estão mais) por aí. No fim do show, o Keith Richards dá uma aula de mau humor provando que, mesmo sendo um Rolling Stone, ele é um velho ranzinza.

No fim das contas, é o esperado: Showzaço ao vivo que com certeza comprarei em DVD. Mas eu sinceramente gostaria que as músicas que estão na trilha sonora e não apareceram na versão pros cinemas apareçam no DVD, até porque a versão de Paint it black que tem ali é matadora.

Grande banda, grande show. Long live rock and roll, long live the Rolling Stones.

Guerra nas Estrelas com outras caras (e vozes)

Abril 8, 2008 por Fabiano
Quando o filme Guerra nas Estrelas começou a tomar forma mais concreta na cabecinha (hoje oca) do George Lucas, ele considerou vários atores para diferentes papéis no primeiro filme.

Algumas escolhas mais interessantes que as que acabaram saindo na prática (não necessariamente melhores, mas eu realmente gostaria de ver como ficaria), outras… bem, nem tanto.

Para o papel do herói do filme, Luke Skywalker, antes de decidir por Mark Hammil, George Lucas considerou atores como Bruce Boxleitner, Robert Englund (!!!) e William Katt. O Robert Englund, mais conhecido como Freddy Krueger, após não ter conseguido o papel, convenceu o Mark Hammil a fazer o teste para aquele que seria o grande filme (e fardo!) de sua vida.

Para o papel do Han Solo, meu grande ídolo de infância, a lista foi longe até chegar no Harrison Ford. No lugar do pirata mais foda da galáxia, o Lucas considerou James Caan, Perry King, Nick Nolte (!!!), Al Pacino (!!!), Burt Reynolds, Kurt Russel, Sylvester Stallone (OMFG!!!!), Christopher Walken (!!!) e Billy Dee Williams, que acabou ganhando uma espécie de prêmio de consolação com o papel do Lando Calrissian, no Império Contra-ataca e no Retorno de Jedi.

De todos esses, eu gostaria de ver o Al Pacino, que faria um Han Solo não tão cool, mas mais escrachadão e filho da puta que o Harrison Ford e o Stallone, por motivos óbvios. O Kevin Spacey, num episódio do Saturday Night Live, imitou o Christopher Walken fazendo a seleção pra ser o Han Solo, o que foi muito legal. Infelizmente o vídeo no you tube sumiu.

Como Princesa Léia Organa, em vez da Carrie Fischer, o Lucas pensou na Karen Allen, que, depois, seria escalada no papel da Marion no Caçadores da Arca Perdida, na Jodie Foster, na Amy Irving, na Teri Nunn (a mulher que canta Take my breath away!!!!) e na Cindy Williams.

Para o C-3P0, antes de decidir pelo Anthony Daniels, foram cogitados o Mel Blanc (só pra voz e conhecido dublador dos Looney Tunes), Richard Dreyfuss e Stan Freberg.

O Obi-wan Kenobi quase não foi interpretado (de forma inesquecível, IMO) pelo Alec Guinness. O papel do velho jedi quase caiu nas mãos do Toshiro Mifune e, segundo reza a lenda, Sean Connery.

A icônica voz do Darth Vader por pouco não escapou das mãos do James Earl Jones e caiu no colo do Orson Welles, assim como o papel do Grand Moff Tarkin, que foi oferecido inicialmente ao Christopher Lee, que, depois de ter recusado, sugeriu o Peter Cushing, que acabou pegando o papel.

Podcast Valinor!

Março 29, 2008 por Fabiano
Pois é, galera. Depois de ter participado do nerdcast, do rapadura cast, do whatever cast pra falar de Tolkien, eu, o TT1 e o Deriel, lá da Valinor, resolvemos lançar nosso próprio podcast!

Sim! Um podcast só, única e exclusivamente sobre a obra do J.R.R. Tolkien e tudo aquilo que, de uma forma ou de outra, deriva dela.

É óbvio que a gente não mantém aquele ar acadêmico que muita gente tem quando fala do legendário. É muita merda, piada, palavrão e pegação de pé pra todo lado.

Enfim, baixem e, se curtirem, assinem o feed do nosso podcast. O link pro feed estará eternamente ali na diagonal, junto com os outros links de rss. Ah, a gente fez também um podcast zero, que vocês podem baixar aqui.

Ah, se tu não sabe o que é rss, a wikipédia já esmiuçou esse assunto, então não tem por que repetir aqui.

Enjoy!

I’m awake!

Março 28, 2008 por Fabiano
Dia desses, eu e minha Dani nos prestamos a assistir esse filme.

Eu não dava nada pra ele, afinal de contas, terror com Jessica Alba e Hayden “I love you, Padmé” Christensen não dá pra querer, né?

A moral do filme é a seguinte: o Hayden é um milionário (quase que eu escrevo milhonário!!!!) que tem problemas no coração e precisa urgentemente de um transplante.

E a namorada dele, a Jessica Alba, trabalha pra mãe dele (que não pode saber de jeito nenhum do caso dos dois – o que diriam os vizinhos!!!!).

O filme acabou sendo uma supresa das boas. O Hayden não é tão ruim quando parecia ser na trilogia herege e o diretor, de uma forma genial, consegue justificar o fato da Jessica Alba ser uma péssima atriz!

A trama é bastante intrincada e angustiante, porque o Hayden, quando vai se submeter à cirurgia, permanece acordado porque a anestesia não faz o efeito que deveria fazer.

É terrível compartilhar da angústia dele, que está absolutamente desperto e consciente, entretanto completamente imóvel, enquanto os médicos abrem o peito dele, tiram o coração e colocam um novo.

Mas a trama, aos poucos, vai se tornando mais complexa. Uma conspiração é revelada e nada é aquilo que parecia ser. Com o tempo, tu vai lembrando de cenas e diálogos anteriores e o quanto o sentido deles muda conforme a conspiração vai sendo desmascarada.

Ok, darei um spoiler mínimo aqui. Tem uma cena chave no filme. É por volta do septuagésimo-quinto minuto (1:15 :P ) do filme, quando o Hayden deita na cama da casa dele e apaga a luz do abajur.

Porque essa cena é tão importante: porque é assim que o Hayden apagar a luz, tu vai apertar stop e vai parar de ver o filme.

Até essa cena o filme é muito legal e, sob a ótica ilusória do filme incompletamente completo, seria um final perfeito. Daqueles com culhões. Ok, não tanto quanto no Myst, mas enfim.

Depois dessa cena o filme degringola de uma forma absurda que nem vale a pena mencionar aqui.

Hoje é dia de ler Tolkien!

Março 25, 2008 por Fabiano

Como todos vocês certamente sabem, hoje, dia 25 de março, é comemorada a queda de Barad-dûr, marco final da Guerra do Anel e da tirania de Sauron sobre os povos livres da Terra média.

É claro que um evento tão importante para todos nós não poderia passar em branco!

Pois então, a Tolkien Society nomeou o dia 25 de março como o Dia para se ler Tolkien, evento que começou em 2003.

Então, como não posso me reunir com vocês pra compartilhar desta agradabilíssima leitura, até porque eu não conheço metade de vocês como gostaria; e gosto de menos da metade de vocês a metade do que vocês merecem, compartilharei aqui um dos meus trechos favoritos de O Senhor dos Anéis.

É um trecho do volume 3, O Retorno do Rei, que compreende parte dos capítulos O Cerco de Gondor e A Cavalgada dos Rohirrim, que narra a chegada dos cavaleiros de Rohan a Gondor:

O Cavaleiro Negro jogou para trás o capuz e todos ficaram atônitos: ele tinha uma coroa real, e mesmo assim ela não repousava sobre nenhuma cabeça visível. As labaredas rubras reluziam entre a coroa e os ombros largos e escuros protegidos pela capa. De uma boca invisível veio uma risada mortal.

- Velho tolo! – disse ele. – Velho tolo! Esta é a minha hora. Não reconhece a morte ao deparar com ela? Morra agora e pragueje em vão! – E com essas palavras ergueu a espada, de cuja lâmina escorriam chamas.

Gandalf não se mexeu. E naquele exato momento, em algum pátio distante da Cidade, um galo cantou. Cantou num tom estridente e cristalino, sem se importar com feitiçaria ou guerra, apenas saudando a manhã que no céu, acima das sombras da morte, chegava com a aurora.
E como em resposta veio de longe uma outra nota. Trombetas, trombetas, trombetas. Ecoaram fracas nas encostas escuras do Mindolluin. Grandes trombetas do norte, num clangor alucinado. Rohan finalmente chegara.

(…)

Depois de um tempo, o rei conduziu seus homens um pouco para o leste, até chegar a um local que ficava entre o fogo do cerco e os campos externos. Ainda não haviam sido desafiados, e ainda Théoden não dera nenhum sinal. Por fim ele parou mais uma vez. A Cidade agora estava mais próxima. Havia no ar um cheiro de fogo e uma sombra da própria morte. Os cavalos sentiam-se inquietos. O rei estava montado em Snawmana, imóvel, assistindo à agonia de Minas Tirith, como se tomado por uma angústia repentina, ou pelo terror. Parecia encolher-se sob o peso da idade. O próprio Merry se sentia como se um grande fardo de terror e dúvida houvesse caído sobre ele. Seu coração batia devagar. O tempo parecia se librar na incerteza. Haviam chegado tarde demais! Tarde demais era pior que nunca! Talvez Théoden vacilasse, talvez curvasse a cabeça e se virasse, indo embora furtivamente para se esconder nas colinas.

Então, de súbito, Merry finalmente a sentiu, sem sombra de dúvida: uma mudança. Sentia o vento no rosto! Surgia uma luz fraca. Distantes, muito além e no sul, era possível divisar nuvens como formas cinzentas e remotas, subindo, flutuando: a aurora estava atrás delas.
Mas naquele mesmo momento houve um clarão, como se um relâmpago tivesse saltado da terra sob a Cidade. Por um cáustico momento permaneceu feito luz deslumbrante em negro e branco, com sua extremidade superior como uma agulha em faíscas; e depois, quando a escuridão se fechou mais uma vez, veio retumbando pelas colinas um grande estrondo.
Àquele som, a figura curvada do rei de repente se aprumou. Agora ele parecia alto e orgulhoso novamente; e levantando-se nos estribos gritou numa voz poderosa, mais cristalina do que qualquer um já ouvira um homem mortal produzir antes:

Acordem, acordem, Cavaleiros de Théoden!
Duros feitos despertam: fogo e massacre!
Quebrada será a lança, trincado será o escudo,
em dia de espada, vermelho, antes de o sol raiar!
Avante agora, avante! Avante para Gondor!

E com isso tomou uma grande corneta da mão de Guthláf, seu porta-bandeira, e produziu um clangor tão forte que a corneta se partiu em dois pedaços. E imediatamente todas as cornetas do exército se ergueram em música, e o toque das cornetas de Rohan naquela hora era como uma tempestade sobre a planície, e como um trovão nas montanhas.

Avante agora, avante! Avante para Gondor!

De repente o rei gritou para Snawmana, e o cavalo disparou. Atrás dele sua bandeira tremulava ao vento, corcel branco sobre um campo verde, mas o rei era mais veloz. Depois vieram numa carreira desabalada os cavaleiros de sua casa, mas o rei sempre se mantinha à frente. Éomer cavalgava ali, o rabo-de-cavalo branco de seu elmo solto ao vento, e a vanguarda do primeiro éored rugia como uma onda enorme que se arrebentaem espuma na praia, mas não se podia alcançar Théoden. Parecia um condenado à morte, ou então a fúria da batalha de seus antepassados corria como um fogo novo em suas veias, e ele ia montado em Snawmana como um deus antigo, talvez mesmo como Oromë, o Grande, na batalha dos Valar, quando o mundo era jovem. Seu escudo dourado estava descoberto e era surpreendente ver seu brilho como uma imagem do Sol, e a relva se incendiava verde ao redor dos pés de seu corcel. Pois a manhã chegara, a manhã e um vento do mar; a escuridão fora removida, e os exércitos de Mordor gemeram, tomados pelo terror, fugiram e morreram, pisoteados pelos cascos da ira. E então todo o exército de Rohan irrompeu numa canção, e cantando enquanto matavam, pois a alegria da batalha estava neles, e o som de sua música, que era belo e terrível, chegava até a Cidade.

Pura falta de laço!!!!

Março 14, 2008 por Fabiano
Eu e a minha Dani vimos ontem o Na Vida Selvagem, filme do Sean Penn, que conta a história de um jovem super inteligente e com espírito crítico desenvolvidíssimo, que tem uma família que sempre o apóia, sempre o ajuda, que sempre está lá pra ele quando precisa, que, depois de terminar a faculdade e ter a oportunidade de entrar em Harvard resolve largar tudo e ir passar uma temporada no Alasca.

Assim no mais, sem avisar ninguém. Ele quer se desprender das amarras da sociedade, dos grilhões do capitalismo, de toda a pressão que hoje é imposta aos jovens de “ter uma carreira” e aproveitar a vida. Curtir cada pôr-do-sol, ajudar aos outros, conhecer lugares novos, enfim, se descobrir como ser humano VIVO, não participante da corrida de ratos que vivemos hoje em dia. Viver cada dia intensamente como se fosse o último.

E ele se vai, sem dar satisfação em momento algum pra ninguém dos seus atos, mesmo os que envolvam queimar dinheiro, abandonar automóvel no meio do deserto, etc.

O filme passa a idéia de que o Chistopher (auto-apelidado de Alexander Supertramp, pois ele renuncia inclusive à própria identidade) é um peregrino conselheiro, que, por onde ele passa, faz com que as pessoas dêem mais atenção às pequenas coisas da vida, pois, no fim das contas, é isso o que importa.

Minha opinião? É um piá de merda que não apanhou o suficiente quando era pequeno.

O Christopher é um lunático, arrogante, ingrato e insensível que não está nem aí pra ninguém e não pensa em nada a não ser a si próprio. Em sua jornada ele adota a missão de abrir os horizontes do próximo, para que a sua vida seja melhor e mais simples, mas a recíproca não é verdadeira!

Durante vários momentos do filme as pessoas tentam abrir a cabeça do Christopher para coisas novas, mas ele se recusa a realizar essa troca: ele quer se intrometer na vida e no pensamento das pessoas dizendo que aquilo que elas fazem é errado mas ele não permite que as pessoas façam o mesmo com ele. Ele simplesmente não tira o arreio de cavalo que o conduziu até aquele momento.

Os pais de Christopher passam mais de um ano sem terem notícias do filho, sem sequer saber se ele está vivo, pra onde foi ou qualquer outra coisa. Ele simplesmente sumiu. Uma das pessoas com que ele se depara em sua jornada é uma mãe que não tem notícia do filho há um bom tempo, ela fala que o desespero por não saber nada do filho que ela sente é tão enraizado nela que ela nem nota mais. Ela pede pro Christopher ao menos ligar pra casa, mas ele, egoísta, imbecil e arrogante que é, se recusa.

Sabe porquê? Porque ele vai pro Alasca!

No caminho ele se depara com um velho de, tipo, 300 anos e simplesmente o obriga a escalar uma montanha com ele (!), claro que o velho quase tem um treco, né? E pra quê? Pra ver um pôr-do-sol. Ok, o velho acha isso muito bonito, etc. O velho foi mudado pela presença do guri.

O velho dá abrigo, comida e água pro Christopher e dá uma carona pra ele até sei lá onde. Daí o velho explica que tanto o pai quanto a mãe dele eram filhos únicos e ele também era filho único, e tinha perdido a mulher e o filho num acidente de carro e que quando morresse, sua família acabaria, desapareceria. E ele pergunta pro Christopher se ele poderia adotá-lo pra que isso não acontecesse (o Christopher mentiu pro velho dizendo que não tinha família).

“Depois do Alasca a gente vê isso” é a resposta.

Putz, se eu fosse o velho eu cagaria ele a pau e depois arrastaria ele pelo pé até a casa do caralho pra ele aprender a ter um pingo de humanidade e gratidão.

Bom, e o Christopher chega no Alasca. Bem feito pra ele, porque ele se fode até não poder mais e morre de inanição por ter comido uma planta venenosa.

Bem feito. E pena que não foi devorado por um urso depois.

Joshua

Março 13, 2008 por Fabiano
Vamos fazer um acordo?

Não procure nenhuma informação sobre esse filme além do que tu vai ler aqui, ok?

Porque todos os lugares que tu olhar vão te vender o Joshua como “mais um filme de terror com menino de terno do mal”.

Mas, acredite, não é mais um filme de terror com menino de terno do mal: ele é o filme que justifica a existência de todos os outros filmes de terror com menino de terno do mal.

Tudo começa quando Brad, o pai do Joshua, o pega na saída do jogo de futebol e recebe uma ligação. Ele simplesmente sai correndo, atravessa uma avenidona e pára um táxi. É quando ele se dá conta que simplesmente ignorou o guri, parado, do outro lado da avenida.

E o sinal da avenida abre. E Brad se desespera. Não porque o Joshua está sozinho, à beira de uma avenida movimentadíssima (na verdade esse fato pouco importa pra ele naquele momento): ele se desespera porque Joshua vai atrasá-lo para o nascimento de sua segunda filha.

A chegada dessa filha aos poucos acaba com a estrutura da família. Assim como quando teve Joshua, Abby simplesmente surta. Tem depressões fortíssimas, à beira da histeria. E claro que isso acaba afetando a pequena Lilly, que não pára de chorar.

Ainda, para ajudar, a mãe de Brad, evangélica convicta, pressiona o casal para que não cometa o mesmo erro que cometeram com Joshua e batizarem Lilly. A mãe, judia, e o pai, cristão provavelmente agnosticado, são contra, acreditam que tanto Joshua quanto Lilly devem escolher a religião quando tiverem maturidade para tal.

E o já-não-tão-pequeno Joshua vai ficando cada vez mais de escanteio. A única pessoa que ainda lhe dá alguma atenção é o irmão de Abby, que também é seu professor de piano. Por sinal, tocar piano em casa acaba se tornando praticamente uma proibição, já que Abby alega que isso irrita Lilly. A não ser, é claro, quando o irmão de Abby resolve tocar Twinkle-twinkle little star pra Lilly. Que ainda não parou de chorar.

Aliás, boa parte da trilha sonora do filme é o Joshua tocando piano. Ele é um excelente pianista, mas, talvez como uma demonstração do quão abandonado e escanteado ele vai se sentindo, cada vez mais soturna e triste se torna a sua música.

Para dar mais ênfase ao fato de que a Lilly se tornou o único interesse para os pais, a passagem de tempo no filme é representada com o passar dos dias da Lilly. Volta e meia a tela fica preta e aparece algo como “45 dias de idade”.

Joshua é um filme lento, daqueles que se come pelas beiradas. No melhor estilo Bebê de Rosemary, de tempo em tempo o diretor te dá uma migalhinha do que está acontecendo. E te deixa um tempão mastigando só aquela migalhinha.

Até que chega o grande dia: o dia da apresentação da escola. O dia em que Joshua poderá usar sua virtuosidade no piano para ganhar novamente a atenção dos pais. Num momento surrealmente desesperador, Joshua decide não tocar uma de suas músicas abituais complexas e eruditas.

Nesse meio tempo, Abby é internada numa clínica, devido ao absurdo grau de insanidade que chega e a família fica por um fio. Aproveitando a oportunidade que surgiu, a mãe de Brad faz uma lavagem cerebral no Joshua, convertendo ele à igreja evangélica.

Ou não, talvez Joshua só tenha aceitado a evangelização para chamar a atenção dos pais, ou para outras oportunidades mais particulares.

Vocês devem ter notado que eu falei apenas sobre o que acontecia ao redor do Joshua, mas praticamente nada sobre o Joshua em si, né? Não falei de nenhuma das coisas assustadoras, perturbadoras e obscenas que ele faz.

Na verdade é provável que nem tenham percebido isso e agora ficaram encucados, né? Talvez nada do que eu tenha dito aqui aconteça de verdade no filme. Chato isso, né? Irritante, será?

Bem, isso é só uma forma particular minha de chamar a atenção.

Cada um tem a sua, por mais psicótica que possa ser.

The Mist

Março 11, 2008 por Fabiano
Assisti ontem ao The Mist, baseado na história do Stephen “can’t-stop-writing” King.

A moral é bem parecida com a de um filme de zumbi. Cidadezinha pacata, dia seguinte após uma tempestade terrível. As pessoas vão ao super comprar comida quando são surpreendidas por uma neblina fortíssima e um velho sangrando falando que “tem algo errado lá na neblina”. E todos ficam presos no supermercado, envoltos pela neblina e o terror que ela representa, com seus conflitos pessoais, psicológicos, ideológicos e a loucura pela sobrevivência.

O filme começa muito bem, com o lance da neblina, dos gritos das pessoas que ousam entrar nela, dos tentáculos cthulhescos, tripas e bastante sangue… mas tem uma hora que a coisa meio que perde o pique, fica meio besta, com monstrinhos nada a ver, etc.

É aí que o Senhor em toda sua glória manda alguém para salvar o filme: a Sra. Carmody, o personagem mais assustador do filme.

A Sra. Carmody é uma religiosa fanática old-school, daquelas que pregam que deus bom é aquele que exige sangue, e ela acaba criando uma cisão no grupo preso no supermercado: aqueles que acreditam que chegou a hora do Juízo Final e aqueles que querem tentar sobreviver à essa loucura.

Então entra em cena uma palavra que se torna chave para o andamento do filme: expiação. A Sra. Carmody acredita e convence todo o seu grupinho (não tão inho assim, na verdade) de que é necessário aplacar a fúria divina. E aí começa a ser semeada a idéia de sacrificar uma pessoa por dia, para servir de penitência e reparação pelos pecados cometidos pelas pessoas que estão presas lá dentro.

Nesse meio tempo, o outro grupo – o grupo do protagonista, que é bem legal, mas menos que a Sra. Carmody – se prepara pra cair fora do supermercado, pegar a caminhonete e dirigir até o fim da névoa. Ou da gasolina, o que acabar primeiro.

A seqüência final do filme deverá entrar pra história. É a coisa mais terrível (no bom sentido) que eu vi na vida.