Nem preciso dizer que foi realmente emocionante ter a oportunidade de ver uma das bandas mais importantes da minha vida ao vivo, até agora tenho minhas dúvidas de que aquilo realmente aconteceu.
E sei que pra muita gente em Porto Alegre foi assim também.
Eu fiquei na pista, pulei, bati cabeça, fiz o chifrinho, cantei feito um louco… minhas pernas, minha coluna e minha garganta ainda dóem. Mais do que doíam ontem, na verdade.
Daí, navegando pelas comunidades do tipo “Iron Maiden Porto Alegre – eu fui!” do orkut, eu me deparo com um cara que registrou praticamente o show inteiro com a câmera digital (só faltaram Moonchild e Clairvoyant). O link pros vídeos é esse.
Então eu parei pra pensar. Correndo o risco de soar ingrato (o que não é verdade, achei ótimo o cara ter filmado pra que eu possa matar a saudade desse grande show), o que leva uma pessoa a fazer isso?
Não estou falando dos aspectos legais, claro. Mas o cara foi pro show com o pensamento de “vou abrir mão de aproveitar esse grande show para registrá-lo para que outras pessoas possam assistir depois.”
Definitivamente o pensamento é esse, porque ele abdica de pular – pra não tremer a câmera -, de cantar – pra não interferir no áudio do show, que é o que interessa pra ser captado, enfim, ele abre mão da oportunidade única que é, pra um portoalegrense, claro, assistir um show deste porte pra gravá-lo.
Isso é muito bizarro, pois nós vivemos numa sociedade que é, ao mesmo tempo, extremamente individualista e egoísta em determinados aspectos, mas também extremamente altruísta em outros.
O show do Iron não é um caso isolado. Eu já achei no You Tube filmagens perfeitamente estáticas do gol do Tinga na final da libertadores de 2006, ou seja: o cara estava lá, filmando e sequer comemorou o gol do título pra não comprometer a qualidade da sua filmagem – feita, saliente-se, em troca de nada além de comentários no You Tube, no orkut, etc.
Isso acontece também em outras áreas, geralmente ligadas ao entretenimento. Sites que fazem legendas pra séries e filmes pipocam por aí, alguns com um serviço de altíssima qualidade, superando inclusive legendas profissionais (vide as legendas dos boxes do Arquivo X, simplesmente péssimas)!
Eu legendei apenas um filme até hoje, o curta-metragem The Gamers, e foi uma experiência desgastante, cansativa e demorada. E o pessoal que legenda episódios semanais de Lost, por exemplo, em questão de horas, madrugada adentro, a troco de nada além de um comentário de “puxa, muito bom!”, “excelente legenda!”, etc.?
Eu sei que eu devia entender o porquê disso, afinal, também tenho minha parcela de colaboração com a Valinor. Mas, por algum motivo, acho isso absolutamente ilógico, no melhor estilo Sr. Spock.
Loucos, eu digo. Completamente loucos. Mas bem que a gente poderia ter mais loucos desse tipo por aí. As coisas seriam bem melhores.
Pra finalizar, um vídeo do show do Iron aqui em Porto Alegre, filmado com uma câmera digital. É a Wasted Years, que teve aquele momento inusitado do Bruce Dickinson falando com a mãe dele num celular (que eu descobri que aquilo não estava no roteiro do show, foi puro acaso).






