Zatoichi e o teste Voight-Kampff

By Fabiano

Bem, pra quem não sabe, o Teste de Empatia Voight-Kampff é utilizado para determinar se um indivíduo é ou não um replicante. Tendo em vista suas atitudes nos últimos dias, Zatoichi acabou despertando o interesse dos Blade-Runners, que o convidaram para uma cerimônia do chá onde seria realizado o teste. Aqui vai o log da sessão.

Rick Deckard: Zatoichi-san, por favor, abra os olhos para que eu possa ajustar o feixe detector de dilatação de íris.
Zatoichi: Sou cego. Meus olhos foram rasgados por um golpe de espada.
R.D.: Os dois? Com um golpe?
Z.: Sim, por quê?
R.D.: Mas não ficou nenhuma cicatriz no nariz, nem…
Z.: (interrompendo) Não, não ficou cicatriz nenhuma, algum problema? (desembainha a katana 2 cm)
R.D.: Isso não era uma bengala?
Z.: (faz cara de mesa)
R.D.: Bem, hum… deixemos o detector pra lá. Pode se aproximar para que eu possa instalar o leitor de dados biométricos?
Z.: Não.
R.D.: Mas Zatoichi-san, tente entender, esse é um procedimento científico que requer certa precisão de modo que…
Z.: (interrompendo) Eu disse não.
R.D.: Rachel, sakê. E do forte.
Z.: (faz cara de porta)
R.D.: Bem, vou descrever um certo número de situações sociais. Você deve manifestar sua reação com a maior rapidez possível. O seu tempo de espera será medido, naturalmente.
Z.: (interrompendo) Eu respondo o que eu quiser a hora que eu quiser.
R.D.: Rachel! O sakê!
Z.: (rosnado)
R.D.: Bem, ahm… primeira pergunta: É seu aniversário. Alguém lhe dá uma maleta de couro. Qual a sua reação?
Z.: Eu não aceitaria e, desconfiado, denunciaria a pessoa que me deu para o Daimiô.
R.D.: Certo… você tem um filho.
Z.: Eu não tenho filhos. Eu odeio crianças.
R.D.: É só uma pergunta hipotética e…
Z.: (interrompendo) Não interessa. Eu não tenho filhos e odeio crianças.
R.D.: Ahm… pois bem… você está vendo televisão…ahm… ouvindo rádio e uma vespa pousa no seu braço. Qual a sua reação?
Z.: Nenhuma. A vespa não significa nada para a minha busca por vingança.
R.D.: Ok. Próxima. Você está caminhando no deserto. De repente, você vê uma tartaruga…
Z.: Eu sou cego.
R.D.: Ahm… você ouve, tropeça, sei lá, de alguma forma percebe uma tartaruga e que essa tartaruga está com o casco para baixo, com a barriga queimando sob o sol, balançando as pernas, tentando se virar. Mas não consegue. Não sem ajuda. Mas você não a ajuda. Por quê?
Z.: Por que ela não ajudaria em nada na minha busca por vingança e só seria um estorvo para mim. Em vez de ajudá-la eu iria dormir fora da cidade?
R.D.: Cidade? Mas você está num deser… bem, deixa pra lá
Z.: (faz cara de janela)
R.D.: Lendo uma revista você se depara com um pôster de uma mulher nua….
Z.: Eu já disse que sou cego! (desembainha a katana)
R.D.: Ok! Ok! Calma! Desculpe, vamos para a próxima pergunta.
Z.: (faz cara de mesa novamente)
R.D.: Das opções a seguir, escolha apenas aquelas que lhe tragam boas recordações. Sua mãe…
Z.: Não quero falar sobre minha mãe. (decepa Rick Deckard) Eu vou dormir fora da cidade. (levanta e vai embora)

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